02/02/2018

A Educação - sinuosidades

Sou um defensor da Educação e de boas oportunidades de educação para todos, independentemente da condição social. Sou favorável a uma rede de apoio via estado para oferecer essa igualdade de oportunidades, de boas oportunidades, embora o ideal fosse o financiamento privado, seja de mecenas, fundações, etc, mais livre do estado. Preocupam-me sobretudo os mais pobres, que não as têm. A Educação é a melhor arma para mudar o mundo para melhor, sem dúvida alguma. Mas há algumas coisas que é preciso ter claras e contrariam alguns discursos propagados por certas ideologias totalitaristas, sejam de esquerda ou de direita:
1. Ao contrário das modas e correntes, a liberdade de educação, com liberdade de escolha da escola e do projeto educativo, num sistema concorrencial, que gere associação, colaboração, rigor e inovação, é essencial para um mundo livre e mais justo;
2. A educação não é apenas aquela que o estado autoriza, cedendo muitas vezes a interesses (até ilegítimos) de grupo, chegando mesmo a estar capturada pelas piores razões, que nada têm que ver com o interesse das pessoas, das famílias, dos estudantes, no fim de contas, do interesse do próprio País, região ou comunidade;
3. A educação é cara, mas mais cara é a ignorância! Sim, mas muitas vezes quem diz isto são as mesmas pessoas que defendem a educação gratuita exclusivamente estatal, desvalorizada por ser "gratuita". Ora, se ela deve ser gratuita para os estudantes, de modo a que tenham acesso à melhor educação mesmo sem dinheiro, o sistema devia ser o de apoiar esses estudantes com boas bolsas e deixá-los escolher a educação, em vez de financiar automaticamente, independentemente dos resultados e da procura, escolas que nada fazem para servir efetivamente os interesses dos estudantes, das famílias, das regiões, do País (seja ele qual for); tantas vezes os pais e professores, toda a gente, ficam enredados numa teia complexa que os impede de ir mais além, porque estão presos a algo que não tem valor, é gratuito. "O estado paga-vos para educarem os nossos filhos, façam o vosso trabalho e não nos incomodem..." ou "vocês estão a reclamar de quê? não lhes dão educação em casa e querem milagres! queixam-se de algo que vos é dado gratuitamente?!" Claro que há sempre exceções, mas o que importa é acabar com o que funciona mal...;
4. A educação, sendo muito valiosa, e nada gratuita, porque os recursos foram retirados antecipadamente pelo estado aos cidadãos para a oferecer a todos em igualdade de oportunidades, muitas vezes retirados a trabalhadores que nunca conseguirão boas escolas para os seus filhos, essa educação, dizia, não corrige muitos aspetos da educação global dos indivíduos, sujeitos a outros ensinamentos... Por outro lado, essa educação não altera totalmente a expressão do genótipo, da condição genética, da predisposição natural. Como referem muitos pensadores, nós temos em nós, no dizer de Pascal, uma metade anjo e outra metade besta, sobressaindo em boa medida aquela que o ambiente ou o contexto mais favorecer. O mesmo já dizem há séculos os orientais, que há dois lobos dentro de nós, um bom e um mau, vigorando aquele que for alimentado;
5. Assim, a educação, num sentido não apenas académico, formativo, científico e técnico, profissionalizante, mas também humano, depende do contexto, não o contexto gela do mundo em que se vive, mas o contexto de atuação que nos é cobrado e/ou que nos é auto imposto. É preciso sublinhar os valores, a liberdade e a responsabilidade, a defesa da vida e da natureza, o respeito pelo outro e pelo diverso, pelas diferentes culturas, pelos seres humanos enquanto pessoas individuais e singulares, mas num clima sem cedências à relatividade desses mesmos valores e culturas, procurando afirmar o que é certo e negar o que é errado;
6. Neste quadro, as escolas, por nelas se encontrarem mestres de sabedoria (devia ser assim, mais do que as métricas de conhecimentos, alguns muito perecíveis no tempo) e estabelecerem laços de fraternidade, deviam ser lugares sagrados, a verdadeira casa da comunidade;
7. Para terminar, o valor do livro, da leitura demorada e aturada, em silêncio e/ou algazarra, deviam ser cada vez mais valorizadas, em vez dos paternalismos imbecis que se verificam tantas vezes, porque "os jovens de hoje são diferentes de outros tempos, porque noutros tempos eram uma elite e hoje são filhos de pobres"... Não há nada mais enganoso do que colar a pobreza ao insucesso ou falta de vontade. O pior é o conceito de escola inclusiva ter derivado para todo o tipo de aceitação no ambiente da escola, todo o tipo de incumprimento com base na ideia de que são as pessoas de meios desfavorecidos que violam esse ambiente de estudo e aprendizagem... A escola, no sentido de uma boa oportunidade, cara, valiosa, deve ser exclusiva! Exclusiva no sentido em que é uma oportunidade exclusiva, excepcional, para melhor o mundo, para melhorar a vida do indivíduo e dos seus.
Fica esta provocação para aqueles que gostam de pensar fora da caixa do politicamente correto.

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